Por que você se interessa por arte? Qual partícula em você o move em direção ao campo da especulação e não da certeza? Essas perguntas me perseguiram por meses e eu, sem resposta alguma, simplesmente segui em frente ignorando aquilo que me afligia.
Então numa fria noite de domingo, em novembro, fui ao teatro. Assistir a uma performance, ou ao menos foi ao que fui convidado a assistir. Eu já havia ouvido falar daquele espetáculo, e ele me havia sido apresentado, originalmente, como uma peça e não uma performance. E enquanto tomava um café comecei a pensar o que separava uma performance de uma peça, não sei se cheguei a alguma conclusão realmente esclarecedora, mas, se cheguei, foi essa: a performance é, em certa medida, uma diluição das linhas que separam as artes plásticas das outras artes, assim o teatro, a dança, o cinema, a narrativa e a expressão são incorporadas por um artista plástico para formar uma obra que, se vista por qualquer aspecto artístico (plástico, teatral, cinematográfico etc...) é multidisciplinar e, portanto pertencente tanto a um quanto a outro campo das artes, com objetivo final claro e único na especificidade do artista.
O show começa. Quatro mulheres espalhadas pelo espaço cênico se debruçam, caminham, deitam e cantam. O espetáculo é baseado em fotografias, então a fala não faz realmente sentido algum ali. Mas o som e o silêncio fazem. Eu quero gritar, mas não grito. A certa altura da ótima peça, eu me pergunto: "Por que você gosta de arte?". Silêncio. Eu penso. "Pela poética", respondo finalmente. Mas inquisidor que sou, não desisto tão fácil, me imagino falando com meus pais: "Mas o que é poética?" Eles perguntariam, querendo uma definição rígida que não posso dar, ainda. Então reformulo minha resposta anterior, por não ser capaz de responder a nova: "Pela poética, se é que sei o que é isso".
Então numa fria noite de domingo, em novembro, fui ao teatro. Assistir a uma performance, ou ao menos foi ao que fui convidado a assistir. Eu já havia ouvido falar daquele espetáculo, e ele me havia sido apresentado, originalmente, como uma peça e não uma performance. E enquanto tomava um café comecei a pensar o que separava uma performance de uma peça, não sei se cheguei a alguma conclusão realmente esclarecedora, mas, se cheguei, foi essa: a performance é, em certa medida, uma diluição das linhas que separam as artes plásticas das outras artes, assim o teatro, a dança, o cinema, a narrativa e a expressão são incorporadas por um artista plástico para formar uma obra que, se vista por qualquer aspecto artístico (plástico, teatral, cinematográfico etc...) é multidisciplinar e, portanto pertencente tanto a um quanto a outro campo das artes, com objetivo final claro e único na especificidade do artista.
O show começa. Quatro mulheres espalhadas pelo espaço cênico se debruçam, caminham, deitam e cantam. O espetáculo é baseado em fotografias, então a fala não faz realmente sentido algum ali. Mas o som e o silêncio fazem. Eu quero gritar, mas não grito. A certa altura da ótima peça, eu me pergunto: "Por que você gosta de arte?". Silêncio. Eu penso. "Pela poética", respondo finalmente. Mas inquisidor que sou, não desisto tão fácil, me imagino falando com meus pais: "Mas o que é poética?" Eles perguntariam, querendo uma definição rígida que não posso dar, ainda. Então reformulo minha resposta anterior, por não ser capaz de responder a nova: "Pela poética, se é que sei o que é isso".
Eu vejo muita poesia em minha vida. Muita mesmo. Sempre em pequenas coisas. Uma rua vazia. Uma rua cheia. Um ponto no meu caminho diário que eu nunca tinha reparado e de repente ele se torna cheio e iluminado. Um vento gostoso acariciando o rosto meu rosto. O silêncio. Mas eu não sei o que é poética! Você sabe?

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